Matriz de risco: como o nível é classificado no PGR
A norma não entrega uma tabela pronta. Ela exige que você tenha uma, que ela esteja escrita no documento e que seja aplicada do mesmo jeito da primeira à última linha do inventário.
Os dois eixos
O nível de risco sai da combinação de dois julgamentos:
- Severidade — quão grave é a lesão ou o agravo possível. Vai do desconforto reversível, num extremo, ao óbito ou à incapacidade permanente, no outro.
- Probabilidade — quão provável é que aconteça, considerando tempo e frequência de exposição, número de pessoas expostas e, sobretudo, as medidas de controle já existentes.
Repare na última: medida de controle implementada reduz a probabilidade, e é por isso que o inventário exige registrar o que já existe. Um risco avaliado como se nada houvesse no local superestima o nível e desorganiza a prioridade de tudo.
A escala é sua — mas precisa estar escrita
A NR-1 não impõe 3x3, 4x4 ou 5x5. O que ela cobra é consistência e transparência: a escala adotada, o significado de cada grau e a regra de combinação precisam constar do PGR. Sem isso, o nível atribuído é uma opinião sem método — e é assim que o auditor vai tratá-lo.
O teste é simples: dois técnicos da mesma consultoria, avaliando o mesmo posto com o mesmo critério escrito, deveriam chegar ao mesmo nível. Se não chegam, o critério não está suficientemente definido.
Do nível para a ação
Classificar não é um fim. O nível existe para ordenar o plano de ação: o que é alto vem antes, e o prazo de cada medida precisa ser coerente com a classificação que a própria consultoria atribuiu.
A incoerência entre nível e prazo é uma das mais fáceis de encontrar num documento — e uma das mais difíceis de justificar depois.
E os riscos sem medição
Boa parte do inventário não tem número: risco de queda, de corte, de atropelamento. E, desde 2026, os fatores psicossociais. Nesses casos a avaliação é qualitativa, o que não a torna arbitrária — continua exigindo escala declarada, justificativa do enquadramento e aplicação uniforme.
Perguntas frequentes.
Como se calcula o nível de risco na NR-1?
Combinando a severidade das lesões ou agravos possíveis com a probabilidade de ocorrência. A norma não impõe uma escala única: a organização adota um critério e o declara no PGR.
A NR-1 obriga a usar matriz 5x5?
Não. A matriz 5x5 é a mais difundida, mas escalas 3x3 e 4x4 também são aceitas. O que a norma cobra é que o critério esteja explícito e seja aplicado de forma consistente em todo o inventário.
Posso mudar a escala entre uma revisão e outra?
Pode, mas é preciso cuidado: mudar a escala altera o nível de todos os riscos e torna a comparação com a revisão anterior impossível. Se mudar, declare a mudança e reavalie o inventário inteiro, não só as linhas novas.
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